terça-feira, 3 de novembro de 2015

Onde Estás?


Onde estás, oh, brisa do meu céu?

O que fazes, o que sonhas?

Antes em teus olhos, caminhavas,

Em meu corpo flutuavas,

E em teus seios, em teus relevos,

Em tuas pequenas pérolas, eu vos amava.

Onde estás, oh mulher divina,

Que corróis minhas desventuras,

Elevas-me às alturas,

Soltai-me nas nuvens,

E nadar ao sol.

Fizeste-me cego da dor,

Amante sem dó,

Criança fugidia do mal,

Adolescente carente de teus apelos!...

Onde estás, mulher!?

Quando me encanto com o canto

Dos pássaros,

Quando caem lágrimas em

Meus passos,

Quando sozinho em meu mundo,

A edificar ideologias,

Filosofias, histórias,

Canções...

Vêm-me tua alma, tua voz,

Teu sumo.

E de tua essência tão perfeita,

Retiro apenas o que me foi em reflexo...

Vêm-me assim tornados cansados,

Advindos de um espaço oculto, sem nexo...

Dele nada retiro,

Apenas a realidade,

Que nos separou em maldade...

Desnudou meu sexo.

Ondes estás...?

Em solitário âmago, naufrago,

Em brumas negras, fadado

A morrer perdido,

Esquecido,

Sem ti...
Eu vivo.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Semente


Em nome de Deus,
Dos filhos meus,
Dos anos teus,
Em que eu fora plebeu,
E você, rainha.
Em nome do amor,
Dos sois que se põem,
Das luas de outrora,
Das estrelas de agora,
Do escuro infinito,
Do limite, entre mim
E você...
Em nome da terra,
Dos corpos que se amam,
Das sementes que se geram,
E são geradas,
Das partes de um todo,
Do átomo que se biparte,
De suas partes que não são;
Em nome do que me resta,
Dessa imensa floresta,
Em que me perco calado,
Tão frio e solitário,
Como pássaro em céu azul.
Em nome do nada,
Desse véu pálido do pecado,
Dos eternos namorados,
E do coração que se bate...
O que somos?
Nem sei o que somos,
Apenas sei o que queremos.
Queremos um ao outro,
Em meio a guerras ocultas,
Que nos embatem sem luta,
nos agridem como pedras,
embaixo de águas revolutas.
Somos, em nome dos meus
E dos nossos, o que amamos,
O que queremos,
Mas só não somos
O que querem que sejamos...

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Dúvidas


Não mais te amo,

Nem mais sei o que sou.

Trôpego, hibrido; cálido,

Sonhador, errôneo,

Em princípios que não sei.

Apenas não te amo mais.

Palavras se foram vãs,

Em histórias pagãs,

Em que Deus era tudo,

Em meio a nós,

Que não éramos nada,

Apenas sóbrios amigos

De um passado lírico.

E hoje, em busca de ti,

Em outras que não

Amo,

Encontro a ti somente,

Nesse pranto que me espera.

 

Percebo que te amei,

Um pouco...

Mas tão somente como

Uma criança,

Um pequeno verme feroz,

Que corroía teus olhos,

Seus sonhos, sorrisos,

Teu mundo, tua paz.

Percebo, agora,

Que não sou mais um pequeno verme,

Nem um pequeno ser do mundo,

Sou apenas um homem

Em busca do sol,

De seu sorriso,

De tuas luas,

De tuas curvas,

De teu medo,

De seu segredo,

De teu céu!

Acho que... te amo!

Me enganei.

Graças aos deuses,

Me enganei!

Observo agora,

Simplesmente agora,

Que me encontrei

Em tuas formas,

Em teus lírios lisos,

Sem vestimentas,

A cuja beleza

Obedeço...

E dela padeço se não tiver.

Sim,

Descobri que te amo,

Te pertenço,

Me enriqueço,

Empobreço,

E Sobrevivo em forma

de Homem, que sou.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Elo





Simples como o ódio,
violento como a água que desce,
em chamas como o fogo que queima,
físico como garras no sangue..

Bruto como a dor da vida,
sério como o caos,
frio como a geleira sagrada,
inquebrantável como ouro...

Cego como as nuvens,
cíclico como Deus,
selvagem como tigres,
amantes como lírios...

Doce como água pura,
belo como a certeza,
amado, como a arte,
verde, como a beleza.

Assim é o nosso amor,


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Linda Dor




Sinto ainda seu corpo
Suando no meu,
Uma água fria,
que se vai febria,
embriagando vias,
como Vênus prometeu.

Desce doce em meu peito,
em trajetos quentes
do seu leito,
Molhando crua a tua lua,
suas serras, seu desejo.

E cai enlameando curvas,
e eu sem luvas,
devorando-te nua,
tão menino sem cor.

Tão saliente em maldade,
destruindo saudade
em teu mundo
de amor.

Vinguei minha dor,
tão fina e distante,
tão séria e errante,
agora era bela como
uma flor

Desfiz a maldição,
que cantei em outrora,
pois, naquela dia, (e hora),
eras meu sonho
minha bela ilusão.

E o norte se fez real,
em abraços, em beijos,
que jamais te dei.

Nossos brios ungidos,
como crentes remidos,
por caminhos que passei.

A santidade se desfez
e teus olhos eram meus,
nada mais se dizia,
apenas uma canção se ouvia...

A canção do amor meu.


E cansados, nos amamos,
e no descaso do amor,
nos matamos!

E ao ressuscitar do leito,
olhei teu belo peito,
e te amei muito mais,
cantei poemas líricos,
que se esvaiam como mitos,
que em sonhos não se veem tais.

Amar-te é como fogo,
que sobe como espírito meu,
se desfaz por falta de lenhas quentes,
volta como meros umbrais.

E nesse dia, fui um fogo,
que te amou ferozmente,
como um leão vadio,
que se molha em rio,
após devorar presas inocentes.

Esse sou eu, e tu, minha breve
rainha,
tão pobres quanto mendigos,
em busca de um simples abrigo,
meros amantes, em busca de alívio.






quarta-feira, 13 de maio de 2015

Você, meu meu sol, minha chuva.





E o sol não nasceu...
Uma Nuvem cinzenta,
avarenta,
Robou-me o que era meu.

Fez-me sucumbir,
cair,
Ver a terra molhada,
arraigada,
de passos seus.

Um breu se fez.
Era noite.
A escuridão me perseguiu,
e deu-me um açoite.
Não temi o meu fim,
era apenas um início
de um mero precipício,
de você sem mim...

Em prantos nas águas,
sob a chuva de verão,
entonei seu nome,
tornei-me homem,
em plena solidão..

E o sol surgiu,
em pernas lisas,
em sorrisos obtusos,
em forma de deusa lírica,
não havia mais escuro.

O perfume da rosa
em mim se fez,
a canção das ondas,
do lírio e das pombas,
Fazias parte de mim,
outra vez.

Um beijo na alma
em desejo em teu corpo,
uma leveza da calma,
me encontrei em teu gosto.

Nus nas areias do deserto,
em céus descobertos,
em brios finos te amei,

Nem mesmo o sol que se ia
em seu perdão que partia,
retirou o sonho da memória,
do amor que em nós havia (eu sei).

sábado, 2 de maio de 2015

Vermes Elegantes

Sinto uma dor terrível,
a dor da solidão.
Dessas dores que tornam
o forte fraco,
dessas que sugam o caule
do coração.

Parece-me que me arrancam as visceras
com a própria mão,
Dando flores que com a mão esquerda
sorria,
Com a mão direita se ia,
Que com apertos se vão.

Hoje eu morri
Não sei amanhã,
talvez as montanhas me vejam,
os céus me julguem,
mas não vou não...

Sei apenas do meu coração,
dói demais por nada,
como louco em disparada,
como filhos em desunião.

Mas o universo é assim,
formigas querem gigantes ser,
e sóis, meros vaga-lumes,
Andorinhas nadar em cardumes,
e peixe fazer verão.

Ainda não me vou, nem quero ir,
são apenas reflexos do homem.
subjugando meu mundo,

E aquele tão vagabundo,
tão imundo sem lar,
com lanças de areia,
prestes a julgar.

O que são, se não vermes
como sábios a opinar,
sobre nada em mundo vil,
sugando outros, sem par.







quinta-feira, 30 de abril de 2015

Descobri...






Descobri que o céu é o próprio inferno
revestido de azul,
Quando o demônio está em nós...
Descobri que a beleza humana só existe
aos olhos do interesse,
Que o interesse é mesquinho,
um bicho verde que arranca as vísceras da alma,
A pele..
que provoca fungos, lodos, dor...
Ao ponto de tocar no fundo do fosso,
onde me encontro.

Descobri que a dor é uma mentira,
que seus olhos de mestra,
sua mãos de fada,
sua voz divina,
não mais são que feições do horror,
da humilhação,
da discórdia entre monstros
que residem em nós.

Descobri que somos apenas pele e osso,
que alma só existe nos homens
que nela acreditam,
Descobri que a cova é a nossa melhor
moradia,
onde ninguém te encontra,
apesar do corpo frio e banalizado
pelos vermes.

Descobri que somos sós,
não há ninguém,
não há homem ou mulher verdadeiros,
que se possam amar, confiar,
ou mesmo chorar em ombros.
Apenas seres hipócritas,
naturais do planeta hipócritus,
que vieram à terra,
depois que aquele planeta se foi
pela demasia hipocrisia...

O que me salva,
e nem sei se é real,
a tua presença,
o teu fingido amor real,
que me subtrai a dor,
pela saudade real,
que me faz andar,
viver, sentir, cantar,
e um dia sonhar
dentro de seu sonho
um possível e real amor.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Perdoe-me...






Perdão por me sentir humano...
Por me sentir um pouco verme,
Um pouco Deus.
Perdão por me sentir divino,
Louco, e visceralmente ateu.

Perdão, minha Deusa,
se não te vejo mais,
se não te amo mais,
se te amo todos os dias...

Perdão por me sentir bem com a dor,
por me sentir mal com a fé,
Por me perder e não me ver em espelhos...

Desculpe-me pelo vasto mal que te fiz,
sugando sua alma,
deixando-te em trauma, infeliz.

E nessa ventura de sentir,
de morrer e voltar, e sofrer e matar,
e cair e levantar,
Peço perdão pelo demasiado sonho,
este pelo qual luto,
reluto, translúcido, relúcido...
Morro.

Perdão, mulher,
pelo tudo e pelo nada,
pelas águas que por nós passaram,
pelas terras que me enterraram,
pelos coveiros vivos que me circundam,
pelos lobos em carneiros de gravatas,
pelas vacas bípedes,
alinhadas a puxar o leite do boi...

Perdão, pelas serras que não vi,
pelos pássaros que se foram,
pelas nuvens que esconderam o sol,
pela lua que sorriu doente,
por sua mera e bela vida em mim ausente...

Perdão pelos seres sem alma,
que rondam feitos zumbis de dia,
Pelas infames palavras que pronunciam na noite,
em busca de um Deus sem vida,
pelos dias que morri sentado,

e

obrigado pelos dias que levantei na noite,
fui atrás de seu âmago,
e olhei o céu,
tão estrelado, fadado a ser belo,
nem tanto quanto ao seu sorriso,
do qual sinto saudades.

Perdão por ser breve,
mas a vida o é,
e serei também,
e por isso, um dia morrerei,
e deixarei, em lembranças,
o que muitos não tem..

Você.


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Beleza Eterna Estranha


Meu coração se foi
sem teus olhos de abril
Foi como chuvas de março
Em vias primaveril....

Soava como sino de igrejas
em pequenas capelas
que ornavam tua beleza
E tudo fora pueril...

Ele se foi como ladrão
Desses que roubam uma canção
Nascem em teu sussurro
Morrem em vão...

Era preso a tua alma
ferida por palavra em larva
descera quente em terra minha
Em terra farta;

Não mais preso em solidão,
nem mesmo ao teu corpo,
belo e livre em canção.

Não mais preso em tua anca
em teu livro de bonança
de páginas frias e amarelas,
que eu queria tanto ler...

Nem tuas flores em metáforas,
tuas montanhas cerradas,
tão pontiagudas e amadas,
Não sei delas viver.

Sei apenas que te amo,
e em nome do que se foi
daquilo que sempre será
Tudo será eterno.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Sutil




Meu coração

se desfaz em pleno inverno,
ao desabrochar a pétala rosácea,
na pertinente ácida selva híbrida,
à luz de um canto mais idílico.

Minha Alma,

anulada pelo ósculo do vento,
reincidente de outros,
que em furacão em contento,
foram meras brisas de outrora,

Meu corpo,

Espera o teu,
tão irresignado em esperas,
que traspassa luas verdes,
deixa-me com sede,
acordando de quimeras,

Meu céu

acorda em minhas terras,
sem flores em jardins,
desatam sentidos,
carregam contigo
o amor sem mim..

Mas...

A espera ainda arde em vulcão
tão sólida e quente,
por teus olhos latentes,
por teu corpo... Solidão.











terça-feira, 17 de março de 2015

Saudades






Não há sentido no que faço,
Pego minha pena,
Escrevo até a morte,
E me disfarço...
Nada faz sentido,
Nem mesmo o sentido
De olhar o espaço,
Buscar um corpo vago,
que se desfaz no opaco.
Não sou fraco,
Nem possuo uma vida amena,
Tenho até sorte,
Não plena,
De não ser teu amigo,
Mas buscador de tua libido,
Nesse escuro aço,
De estrelas fugidias,
Antigas,
que me lembram a vida,
antes da ida,
antes do nada,
sempre a sua espera,
minha amada.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Caos, Teos... Você.







Caos

Em manhã de agosto,
Estive febril,
Andei por janeiro,
Fui ao seu ninho matreiro,
Amei o teu corpo,
Senti os lírios de abril.

Viajei em teu espaço,
Nele fui obreiro,
Construí estrelas cadentes,
Cometas meninos,
Pontes de aço,
Voltei em março,
Como belo guerreiro.

Venci guerras em Netuno,
Amei mulheres em plutão,
Aos teus olhos profundos
Voltei em junho,
E perdi a batalha do coração.


Teos


Em janeiro descansei
Das lembranças que aludi,
De tua alma criança
Em tão severa dança,
Como astro me perdi...

Em fevereiro,
Cantei palavras ao teu ouvido,
Em conflitos fui ferido,
E tornei-me só teu.

Em março,
Um deus me chamou,
Deu-me forças em terras,
Em céus, em luas belas,
E me fez o que sou...


Sou abril que se fechara,
Das tormentas que passei,
Conheci infernos santos,
Céus tão severos,
Vi teu vermelho manto,
E te amei.

Em maio morri,
Ressuscitei do amor,
Casei-me com teu semblante,
Em meu ser ausente,
Ao passo tão presente,
Tornei-me errante...

Andei em junho,
Tão jovem quanto vós,
Semeando poesias,
Em meio a feridas,
Que me fizeram só.

Meu Julho não era César,
Nada tinha de romano,
Enfraquecera em batalha,
Caíra em fornalhas,
Enfraquecera em anos,,,

Não sucumbi em agosto,
Em minha língua, teu gosto...
Em minha alma, a lembrança,
Mas em meu espírito lírico,
Desgosto...


Num

Flores e amores de setembro,
Prestes a desabrochar um novo mundo,
Vivas em sabores, em cores,
Penetrei em meu eu mais fecundo,

Mas outubro me veio,
E dele me cuidei,
Entrei em meu corpo,
E nele fiquei,

Levantei em novembro,
E o sol em mim se prontificou,
Cortando nuvens cinzas,
Cascatas celestes finas,
Enfim, o vento levou...

Não levara tudo,
Deixara o verdadeiro Amor,
Tão dezembro, tão divino
que, antes de ir, saudade me deixou...


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Super Nova





Eu vi várias explosões,
estrelas se compondo,
outras se destruindo,
vi escuros se formando,
vários sóis se partindo...
 Vi mundos sendo criados,
outros, se diluindo,
como corpos nus se amando,
e o suor da vida em meus olhos
caindo...
Vi o céu tão profundo,
que meus olhos doíam,
era tão forte seu apelo,
semelhante ao meu por teu beijo...
ensurdeci de tanto silêncio,
ao vir tua boca a calar,
morria a cada estrela,
desfazer-se em belezas,
que não sabia relatar...
Teu corpo... O espaço,
meu ser no seu adentrando,
em busca do primeiro cometa,
em plena gravidade sua,
a sentir a cada escuro
tua pele... Nua.

Penetrei no âmago de tua alma,
encontrei loucuras sem fim,
eras donas de mais planetas,
de canções feitas só pra mim...
Nada morreria, no entanto,
nem lágrimas ou pranto,
apenas teus olhos calados,
por mim almejados,
a espera de dormir no canto.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Loucura Natural




Boa noite, meu sol.
Bom dia, minha lua.
Como vai, minha grama dourada,
Minha serra cinzenta,
Minha nuvem solitária.
Para onde ias, minha flor,
Minha gaivota cansada.
Pouse em meu peito,
Deixe desse jeito,
Assim, beber dessa água
Celeste,
Que cai em seu corpo,
Minha terra amada!
E dessa terra,
Nascem teus canteiros,
E vos pergunto...
 - o que querem,
Senão falar...
Resmungam o dia inteiro,
Nesse chão obreiro,
Sonhando em fruto,
O teu luto,
E ainda ensinar o teu beijo,
Sentir o teu perfume,
E cantar no escuro,

Feito peixes em cardume!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Guerra e Paz




Me engrandeço em teu corpo,
Em teus lábios, em tuas plumas naturais,
Viajo sobre tuas árvores,
E olho para o teu céu,
Tão rico e azul,
Quanto teus falsos olhos.
Me embriago com teu vinho,
Tão seco e macio,
Leve e ao passo forte,
Que degusto até a última gota.
E no suor que desce de tuas pernas,
Meus lábios se vão endemoniados...
Partindo do cais de tuas unhas
Felinas,
Ao topo de uma montanha
Inabitada...
Não há saliências,
Nem pujanças,
Há relevos em círculos,
Serras inebriantes,
Arco-iris na noite,
Luas tão frias pela manhã...
E o sol,
Companheiro do dia,
Encontro em tua alma,
Em meu fogo,
Em nossos lençóis...

O lago, tão calmo quanto criança
A dormir,
Espera cativo nosso espírito de amor,
E teus pássaros fiéis,
Felizes pelo grande Dia,
Cochicham uma canção de paz.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Você, meu Universo.





Achei que não tinhas fim, Universo,
E não tinhas.
Ao vir teus olhos fugidios,
Prestes a roubar a beleza dos lírios,
Encantar as aves com seus cantos híbridos,
Fiquei assim...
Tão propenso a cantar,
Que meu coração feito lobo,
Em vias de cheias luas,
(eu te vi tão nua!)
E louco a uivar.

Como era pequeno,
Universo,
Não sabia de tuas vestes
escuras,
Nem de tua alma tão pura,
Que me encantara ao acordar.
Sabia que Deus existia,
Mas em formas esguias,
Obriguei-me a... Chorar.

Era teu corpo meu Universo,
Onde eu brincava de menino...
Descia montanhas,
E suas entranhas, abrigo,
Tão assemelhadas ao forte,
Que rumo ao norte,
Fez-me cativo.

Roubei tuas estrelas,
Criei mil versos,
Penetrei em sua penumbra,
Pousei em planetas
Fui guerreiro inércio...

Universo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Teu Cheiro






Senti cheiros de montanha,
Dos teus olhos,
De tuas entranhas,
E morri.
Assim...
A solidão enfim se foi,
Ao vir tua várzea sem fim,
Como uma cidade em rios,
Desfazendo-se em mim...

Teu verde
Cheirava a capim,
E suguei com olhos cerrados,
Levados ao sonho poeta,
Em primas veras concretas,
Tão bela quanto o teu jardim.

Fui ao céu e agradeci pelo Nada,
Em que mergulhava em sorrisos,
Tão abstratos tal essência,
Tão absurdo em coerência,
Não tão lírico sem você,
Minha amada...

Meus desejos embargados,
Pelos teus olhos sintéticos,
Por teu sorriso alado,
Por tua voz comprimida,
Fazem-me um deus calado.

Daqui vejo suas serras,
A quebrar meu lago extenso,
Vejo tuas nuvens a cobrir meu céu de dor,
Vejo tua ponte
A ligar meu horizonte,
Meu mundo,
Seus montes,

Onde mora meu amor.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Granizo







Perder a Rosa e seu perfume,
O mar, os peixes, seu cardume...
Morrer em jardins floridos,
Em cores pálidas,
Em vias esquálidas...
Estrume.
Perder lembranças,
Colher sementes,
Em minha mente,
Você caiu...
Fores como flores,
Que roubavam
Meu amor,
Meus amores,
De encanto que em mim

Jamais se viu.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Entre o Sol e a Chuva



Aves mortíferas em um chão tão puro,
A cair em gramas tão verdes,
Em teus seios suados,
Em meio corpo amarrado
Em teu fruto tão maduro...

Serras brancas em nuvens ocultas,
Não há verde em teu fim,
Apenas gotas salientes,
Como meu amor ardente,
Em tuas vias, enfim.

Onde estás, sol, que não te vejo?
Nem mesmo a esperança amarela,
Que distorce a língua humana,
Assim como nossos ritos na cama,
A te fazer gritar como donzela!

O chão molhado se faz sentir,
Nas pegadas em saltos,
Em pés descalços,
Como um dia em sobressalto,
Fiz teus olhos partir...

Vi tua alma a colidir ao sol,
A respingar lágrimas de dor,
Vi teu corpo gemer de vida,
Como chuvas em janelas,
A bater em telas,
Nosso mais louco amor.

Eras só minha, e minha tu és,
pois em ti construí meu  palácio,
não detive em meus passos,
e naveguei contra marés...

E vejo as árvores, tão solitárias (daqui),
A espera do cessar de um deus,
Que em água remodela meu mundo,
Assim como em teu mais escuro  profundo,
Adentrei no seu.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Em nome dos teus






Pensamentos me levem à brisa
Coadunados com teu sorriso,
Com o sal de teus cabelos,
Com a frialdade de tua saudade,
Com o amor de meus apelos.

Levem-me a Deus,
que se pôs diante de nós,
tão levados como crianças,
em andanças, 
em poemas que dissera
atroz...

Que amor foi esse,
que me fez um pouco de tudo,
das flores às estrelas,
ao mundo imundo...

Guerras e paz,
amor e ódio,
faunas e floras,
e suas estações...

Te amo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Exaltação







Unhas pontiagudas em meu peito,
Rasgando pêlos, em selos de carta,
Pensei no nada, e nele fiquei,
Rasguei teu corpo,
Ao chegar ao topo, saltei.

Nem passarinhos,
A voar sozinhos em serras,
A deixar cair seus ninhos
Em Terras,
Imaginei...

Lábios sutis em tua pele,
Cansados de viajar,
Rondou tuas montanhas,
Tuas vias e entranhas,
E em tua boca desaguou.

O acaso se fez
Ainda que não existisse,
Lá estávamos em lírios,
Suando alegrias em um mundo
Triste...

Como te amei...!
Resguardei a dor da vida,
Martírios de outrora,
Lágrimas de vidas passadas,
Eu voava sobre tua aurora...

E nos instantes,
No presente que me cabia,
Pensar num futuro,
Desde passados que se iam,

Era a gota de meus lábios,
O suor de nossa folia,
Em murmúrios que cantavam,
Em saudades que surgiam...