quarta-feira, 30 de julho de 2014

Nas Teclas de Seu Corpo





Nas teclas sutis de seu corpo
Toco macio e componho uma música.
E como um compositor barato,
Me alegro em devaneio,
Sonho, me elevo, não caio;
Vou-me mais que a Barsárgada do poeta,
Vou ao paraíso, debaixo de cobertores finos,
Tão brancos, tão sujos, amarelados,
Quentes pela nódoa de nosso amor.

Não acordo, pois não estou dormindo,
Nem mesmo com os olhos cerrados,
Mas acesos como o de uma coruja na noite,
Sem perder minutos de seus movimentos,
De sua pele glacê, de seus cabelos de sol;

Nas teclas sutis de seu corpo macio,
Nas luas em que toco melodias finas,
Encontro o cimo de seu peito,
Tão pontudo, de veludo,
Aguardando meu único beijo.

Meus lábios se decompõem...
E percorro em criança,
Como senhores das andanças,
As vias curvas que são minhas e tuas
Vias.

Meu cansaço, meus olhos, meus braços...
Meu hibrido sentimento passional,
Eterno, humano, animal...
Não me inibe, me colide
Com teus telúricos rochedos,
Nos quais meu mar em segredo
Se vai e se vem.


Queria compor uma música...

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Descaso de Deus




Ainda ontem,
Deus não existia;
Preso ao meu corpo,
Findo sol que se fora,
Pensei em minha ira,
No quebrar de tudo.
Não havia amor,
Apenas uma lira
Tocando meu medo...
Meu rancor.
Era meu coração
Em segredo,
Morrendo de ódio,
Sem lua, vermelho.
Mas em tua foto,
Livre de rasuras,
Sonhei nas alturas,
Um sonho
Que não se pode ter.
Você ao meu lado,
Um colo amado,
Teus olhos risonhos,
E eu, tristonho,
Como um fiel,
Olhando para você.
Deus não me ouvira;
Não estavas tu em mim,
Nem eu em ti,
Somente a semente
De um demente,
Perdido em si,
Colhendo frutos do nada,
De uma árvore oculta,
Morrendo sem luta,
Como uma flor de plástico,

Pedindo para existir.