Nas teclas
sutis de seu corpo
Toco macio e
componho uma música.
E como um compositor
barato,
Me alegro em
devaneio,
Sonho, me
elevo, não caio;
Vou-me mais
que a Barsárgada do poeta,
Vou ao
paraíso, debaixo de cobertores finos,
Tão brancos,
tão sujos, amarelados,
Quentes pela
nódoa de nosso amor.
Não acordo,
pois não estou dormindo,
Nem mesmo
com os olhos cerrados,
Mas acesos
como o de uma coruja na noite,
Sem perder
minutos de seus movimentos,
De sua pele
glacê, de seus cabelos de sol;
Nas teclas
sutis de seu corpo macio,
Nas luas em
que toco melodias finas,
Encontro o
cimo de seu peito,
Tão pontudo,
de veludo,
Aguardando meu
único beijo.
Meus lábios
se decompõem...
E percorro
em criança,
Como senhores
das andanças,
As vias
curvas que são minhas e tuas
Vias.
Meu cansaço,
meus olhos, meus braços...
Meu hibrido
sentimento passional,
Eterno,
humano, animal...
Não me
inibe, me colide
Com teus telúricos
rochedos,
Nos quais
meu mar em segredo
Se vai e se
vem.
Queria
compor uma música...

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