Amor é ar,
É verme, é sangue;
Amor é comida,
Amor é escuro solitário,
É sair da morte por sorte.
É viver sem horário.
Amor não é sentimento,
Nem mesmo o frio na espinha,
Ou a espinha da flor,
Pois amor é sinfonia fora do ritmo,
Fora de tudo,
Dentro da dor.
Desespero em gritos,
Tão pobre quanto
Criança faminta,
A devorar capins santos.
O resto é favor.
Amor nada é,
Senão o próprio amor.
Sem nada a dizer,
Sonhar, sorrir.
É fruto do diabo,
Que engana o bobo,
Nascido nas trevas frias,
Ao contrário do fogo.
Amor sou eu.


