quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Outro lado




Amor é ar,
É verme, é sangue;
Amor é comida,
Amor é escuro solitário,
É sair da morte por sorte.
É viver sem horário.
Amor não é sentimento,
Nem mesmo o frio na espinha,
Ou a espinha da flor,

Pois amor é sinfonia fora do ritmo,
Fora de tudo,
Dentro da dor.
Desespero em gritos,
Tão pobre quanto
Criança faminta,
A devorar capins santos.
O resto é favor.

Amor nada é,
Senão o próprio amor.
Sem nada a dizer,
Sonhar, sorrir.
É fruto do diabo,
Que engana o bobo,
Nascido nas trevas frias,
Ao contrário do fogo.



Amor sou eu.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O segredo de teu caminho







Tua voz que me arranha a alma,
que provoca barulhos sutis
Deixa-me frio de saudade,
com trauma.

Onde estás que não me liga.
Perdido estou sem teu nome,
cansado de esperas como fome,
e comer teu mundo como o último
Homem...

Estás sozinha em tabernas,
soltas como pássaros em vão?
a voar em céu nublado,
Oh, aluvião!

Não estás perdidas,
eu é que estou.
Possuída pela liberdade íntima,
Por não saberes que sou...

Mas sei que tu és,
e sei para onde vais,
és meu derradeiro sonho,

que andas nessa terra maldita,
a pensar em luas em que habita
atrás do sol que lhe atrai.

Não me trais, apenas se conduz,
tão perfeita em teu andado,
suntuoso corpo amado,
teus olhos, como luz.

Deixe saber apenas onde estás,
por meu coração bandido,
ao sentir-se tolhido,
por deixar-te escapar tão fugaz.

Ao chegar,
deite-me em teu colo,
em tuas pernas que um dia beijei.

Deite-me em tua cama,
ame-me como Brahma*,
como a última que deixei.

Dê-me teu corpo,
todo ele pra mim,
faça-me teu animal sem pê-lo,

Eleve-me ao cimo de tua montanha
e sinta meu apelo,
que um dia em segredo,
implorou por mim.


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*deus milenar indiano, adorado até hoje.





terça-feira, 7 de outubro de 2014

Teus Mares, Meu Navio






Mares bravios teus,
em meus navios ateus,
Queimar em fogo Zeus,
morrer em cruz de Prometeu,
pelo ar que respiras em Deus.

Morrer em teus lábios frios,
torná-los quentes em rios,
penetrar em cada ponta
de teus fios,
chamar-te e amar-te 
por lírios...

Ao vir tua beleza,
a concatenar em Natureza,
Com breves fios de sutileza,
na clareza de teus olhos,
Certeza...

E deságuo em teu cais,
em tuas luas gêmeas, jamais,
Tão pontiagudas e desnudas,
frutos de inspiração divina,
vê-las-ei em meus lábios
não mais.

Soberba mentira,
que do teu fogo me atira,
sabes tu que és meu sonho veludo,
a crença de meu mundo,
meu tudo.