Em nome de
Deus,
Dos filhos
meus,
Dos anos
teus,
Em que eu
fora plebeu,
E você,
rainha.
Em nome do
amor,
Dos sois
que se põem,
Das luas de
outrora,
Das
estrelas de agora,
Do escuro
infinito,
Do limite,
entre mim
E você...
Em nome da
terra,
Dos corpos
que se amam,
Das sementes
que se geram,
E são
geradas,
Das partes
de um todo,
Do átomo
que se biparte,
De suas
partes que não são;
Em nome do
que me resta,
Dessa imensa
floresta,
Em que me
perco calado,
Tão frio e
solitário,
Como pássaro
em céu azul.
Em nome do
nada,
Desse véu
pálido do pecado,
Dos eternos
namorados,
E do
coração que se bate...
O que
somos?
Nem sei o
que somos,
Apenas sei
o que queremos.
Queremos um
ao outro,
Em meio a
guerras ocultas,
Que nos
embatem sem luta,
nos agridem
como pedras,
embaixo de
águas revolutas.
Somos, em
nome dos meus
E dos
nossos, o que amamos,
O que
queremos,
Mas só não
somos
O que
querem que sejamos...