quinta-feira, 18 de junho de 2015

Semente


Em nome de Deus,
Dos filhos meus,
Dos anos teus,
Em que eu fora plebeu,
E você, rainha.
Em nome do amor,
Dos sois que se põem,
Das luas de outrora,
Das estrelas de agora,
Do escuro infinito,
Do limite, entre mim
E você...
Em nome da terra,
Dos corpos que se amam,
Das sementes que se geram,
E são geradas,
Das partes de um todo,
Do átomo que se biparte,
De suas partes que não são;
Em nome do que me resta,
Dessa imensa floresta,
Em que me perco calado,
Tão frio e solitário,
Como pássaro em céu azul.
Em nome do nada,
Desse véu pálido do pecado,
Dos eternos namorados,
E do coração que se bate...
O que somos?
Nem sei o que somos,
Apenas sei o que queremos.
Queremos um ao outro,
Em meio a guerras ocultas,
Que nos embatem sem luta,
nos agridem como pedras,
embaixo de águas revolutas.
Somos, em nome dos meus
E dos nossos, o que amamos,
O que queremos,
Mas só não somos
O que querem que sejamos...

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