quinta-feira, 30 de abril de 2015

Descobri...






Descobri que o céu é o próprio inferno
revestido de azul,
Quando o demônio está em nós...
Descobri que a beleza humana só existe
aos olhos do interesse,
Que o interesse é mesquinho,
um bicho verde que arranca as vísceras da alma,
A pele..
que provoca fungos, lodos, dor...
Ao ponto de tocar no fundo do fosso,
onde me encontro.

Descobri que a dor é uma mentira,
que seus olhos de mestra,
sua mãos de fada,
sua voz divina,
não mais são que feições do horror,
da humilhação,
da discórdia entre monstros
que residem em nós.

Descobri que somos apenas pele e osso,
que alma só existe nos homens
que nela acreditam,
Descobri que a cova é a nossa melhor
moradia,
onde ninguém te encontra,
apesar do corpo frio e banalizado
pelos vermes.

Descobri que somos sós,
não há ninguém,
não há homem ou mulher verdadeiros,
que se possam amar, confiar,
ou mesmo chorar em ombros.
Apenas seres hipócritas,
naturais do planeta hipócritus,
que vieram à terra,
depois que aquele planeta se foi
pela demasia hipocrisia...

O que me salva,
e nem sei se é real,
a tua presença,
o teu fingido amor real,
que me subtrai a dor,
pela saudade real,
que me faz andar,
viver, sentir, cantar,
e um dia sonhar
dentro de seu sonho
um possível e real amor.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Perdoe-me...






Perdão por me sentir humano...
Por me sentir um pouco verme,
Um pouco Deus.
Perdão por me sentir divino,
Louco, e visceralmente ateu.

Perdão, minha Deusa,
se não te vejo mais,
se não te amo mais,
se te amo todos os dias...

Perdão por me sentir bem com a dor,
por me sentir mal com a fé,
Por me perder e não me ver em espelhos...

Desculpe-me pelo vasto mal que te fiz,
sugando sua alma,
deixando-te em trauma, infeliz.

E nessa ventura de sentir,
de morrer e voltar, e sofrer e matar,
e cair e levantar,
Peço perdão pelo demasiado sonho,
este pelo qual luto,
reluto, translúcido, relúcido...
Morro.

Perdão, mulher,
pelo tudo e pelo nada,
pelas águas que por nós passaram,
pelas terras que me enterraram,
pelos coveiros vivos que me circundam,
pelos lobos em carneiros de gravatas,
pelas vacas bípedes,
alinhadas a puxar o leite do boi...

Perdão, pelas serras que não vi,
pelos pássaros que se foram,
pelas nuvens que esconderam o sol,
pela lua que sorriu doente,
por sua mera e bela vida em mim ausente...

Perdão pelos seres sem alma,
que rondam feitos zumbis de dia,
Pelas infames palavras que pronunciam na noite,
em busca de um Deus sem vida,
pelos dias que morri sentado,

e

obrigado pelos dias que levantei na noite,
fui atrás de seu âmago,
e olhei o céu,
tão estrelado, fadado a ser belo,
nem tanto quanto ao seu sorriso,
do qual sinto saudades.

Perdão por ser breve,
mas a vida o é,
e serei também,
e por isso, um dia morrerei,
e deixarei, em lembranças,
o que muitos não tem..

Você.


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Beleza Eterna Estranha


Meu coração se foi
sem teus olhos de abril
Foi como chuvas de março
Em vias primaveril....

Soava como sino de igrejas
em pequenas capelas
que ornavam tua beleza
E tudo fora pueril...

Ele se foi como ladrão
Desses que roubam uma canção
Nascem em teu sussurro
Morrem em vão...

Era preso a tua alma
ferida por palavra em larva
descera quente em terra minha
Em terra farta;

Não mais preso em solidão,
nem mesmo ao teu corpo,
belo e livre em canção.

Não mais preso em tua anca
em teu livro de bonança
de páginas frias e amarelas,
que eu queria tanto ler...

Nem tuas flores em metáforas,
tuas montanhas cerradas,
tão pontiagudas e amadas,
Não sei delas viver.

Sei apenas que te amo,
e em nome do que se foi
daquilo que sempre será
Tudo será eterno.