Amor é um fogo que arde sem se ver; É ferida que dói, e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer. (Camões)
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Perdoe-me...
Perdão por me sentir humano...
Por me sentir um pouco verme,
Um pouco Deus.
Perdão por me sentir divino,
Louco, e visceralmente ateu.
Perdão, minha Deusa,
se não te vejo mais,
se não te amo mais,
se te amo todos os dias...
Perdão por me sentir bem com a dor,
por me sentir mal com a fé,
Por me perder e não me ver em espelhos...
Desculpe-me pelo vasto mal que te fiz,
sugando sua alma,
deixando-te em trauma, infeliz.
E nessa ventura de sentir,
de morrer e voltar, e sofrer e matar,
e cair e levantar,
Peço perdão pelo demasiado sonho,
este pelo qual luto,
reluto, translúcido, relúcido...
Morro.
Perdão, mulher,
pelo tudo e pelo nada,
pelas águas que por nós passaram,
pelas terras que me enterraram,
pelos coveiros vivos que me circundam,
pelos lobos em carneiros de gravatas,
pelas vacas bípedes,
alinhadas a puxar o leite do boi...
Perdão, pelas serras que não vi,
pelos pássaros que se foram,
pelas nuvens que esconderam o sol,
pela lua que sorriu doente,
por sua mera e bela vida em mim ausente...
Perdão pelos seres sem alma,
que rondam feitos zumbis de dia,
Pelas infames palavras que pronunciam na noite,
em busca de um Deus sem vida,
pelos dias que morri sentado,
e
obrigado pelos dias que levantei na noite,
fui atrás de seu âmago,
e olhei o céu,
tão estrelado, fadado a ser belo,
nem tanto quanto ao seu sorriso,
do qual sinto saudades.
Perdão por ser breve,
mas a vida o é,
e serei também,
e por isso, um dia morrerei,
e deixarei, em lembranças,
o que muitos não tem..
Você.
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