quarta-feira, 30 de abril de 2014

Prisioneiro Teu






Levei um susto...
Não estavas em mim.
Saíste de repente,
Tornar-te ausente,
Tão fora de minha alma,
enfim...

Tomavas banho na noite,
alimentava-se de dia,
Clamavas a natureza à tarde,
Eras um ser livre... Eu via.

Estavas em um mundo
Como criança vadia,
corrias montanhas a fundo,
enquanto no solo eu morria...

Como eu te amava,
pois eras meu amor.
Saias de mim como palavras,
e eu em larvas,
desfazia-me sob teu olhar.

Estavas tão bela,
como aquarelas ao mar,
tão lirica ao passo,
rumo ao laço
E não querias voltar...

Por quê?
Se dava-lhe meu coração,
o que não tinha presente,
dava-lhe meu espirito,
tão empírico e onisciente!

Dava-lhe na boca meu cálice,
tão sagrado quanto à vida,
corria-lhe quando enferma,
Impedindo tua ida...

E hoje, ao vir de volta ao meu...
sinto o sol nascer nos dias,
nas noites que não há...

Sinto teus olhos sérios
Calhar em meu peito,
Este ser imperfeito,
do qual nunca sairá...






segunda-feira, 28 de abril de 2014

Existêncialismo.




Quem sou
Por que sou.
Para onde vou.
Por que vivo,
Por que morro.
Por quê?
Quem é Deus,
O que faz,
O que gera,
para onde vai,
E por quê?

O que quero,
por que quero,
não sou Nero,
Não sou César,
Nem mesmo Cristo.


Não sei quem sou.

O que sou.
Esqueleto,
Opaco, 
Frágil,
Vívido,
Mortal.

Morte?
Que morte,
que vida,
o que são,
e por quê?

Um olhar,
Um bater de coração,
Um andar de pernas,
correr desperto,
um sorriso sereno,
um cair,
um levantar...

Por quê?

Um sol,
Uma lua crua,
estrelas em harmonia,
um homem,
uma mulher,
uma criança,
um animal,
uma pedra,
uma planta,
um verme,
um fungo,
um nada...

Um vento que sopra,
que sopra a fogueira,
que se desmancha na água,
que bate na terra...

Que cultiva a flor,
que se derrete pelo pássaro,
que voa num céu rico,
que derrama chuva no...

Por quê?

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O Menino e o Rio





Venham, pedras, rolarem em meu corpo,
A saborear o suor da vida,
Que em meras feridas,
Deixou-se por ela viver.
Venham, cair em minha alma,
Que em outrora telúrica,
Desabaram em busca
De um abismo a sofrer.
Em teu corpo porém
Fui pedras roliças,
Menino peralta,
A pegar a fruta,
Presa em teu além.
Desci tuas águas,
Mais que puras,
Impuras em meu olhar,
Turvas na descida,
Filhas do amar.
E nesse mar que me afogo,
Nesse rio que desço,
Nessa montanha que sublimo,
Sonho sozinho,
Acordo menino,

Em teu mar.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Corda da Saudade






De saudades e vaidades vivo,
Ao pé da cadeira a reinar,
Meu trono solitário em silêncio,
Em busca de uma lágrima a rolar.

E não me espanto
Se esse pranto em mim não chegar,
Pois se foram minhas vozes,
Que atrozes,
Em meu amago preso,
Sem desejo,
Apenas um mero lampejo
Em meu coração
Resolveu parar...

Net´Hora de dissabor eu vivo,
E de vidas eu morro,
E desse elo sem ida,
Como masmorra sofrida,
Meu sexo pede ao seu socorro.

Nada, porém,
Traz-me seu manto,
Seus olhos,
Nem mesmo
O deus do tudo,
Um velho barbudo,
A sorrir em bares,
Em meu sangue tomar.

A saudade é fria,
É a dor que não tem.
É a arma da vida,
Apontada na ferida,
Entre meus olhos,
Janelas do Lar.

É a distância perfeita,
Amante que deleita
A Junção eleita,

Entre a canoa e o mar.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Olimpo dos Homens






Entre mundos me perdi,
Me encontrei no seu,
Subi aos montes Hebanos,
Fui Prometeu.
Hércules na morte
Digladiei,
Caí em sonhos futuros,
fui um tanto quanto
Impuro...
Errei.

Em tuas acácias subi,
feito criança febril,
corri teus apelos 
como homem,
nem mesmo pensei no ontem,
vivi.

Fui um servo de tua escravidão,
marchei guerreiro em terras
Alheias,
Fiz uma canção.
Andei em tuas águas,
Tateei em tua escuridão,
morri ao longe de teus olhos,
não soube dizer Não.

Eras minha deusa,
a da Vitória servil,
eu, seu homem do Olimpo,
E você,
Minha Atena de Abril.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Neve ao Sol








Um veludo simples
A roçar em meus lábios quentes,
Numa rua escura,
Natura das deusas luas.
Mãos e lábios finos,
sorrisos e desejos,
lampejos e vontades,
à merce do amor.

Queria a eternidade,
sem pensar em Deus,
em Infernos,
em dores, alívios...
Apenas pensar...

E ver que meus sonhos,
tão pobres, tão simples,
doentes, febris, amargos,
foram belos, ricos,
amantes, e ferozes,

Ao passo cálidos,
como torrentes
em cascatas,
em planetas
desconhecidos.

Uma bola de neve,
uma flor,
uma pétala solitária,
uma dor que se foi.
Uma paz que reinou
Em segundos...

E eu,
Um vagabundo
em seu corpo...
Um mero suicida,
entregando a vida,
a morte,
a sorte,
e o mundo...
ao seu.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Sem Norte






Espero em sentidos,
Como espírito lírico,
ao sol viciado,
o teu corpo selvagem.

Uma orquídea que se fora,
em terras sem cultivo,
sem flores ou rumores,
para o chão em que piso...

Espero como frutos e filhos,
de uma árvore tão distante,
quimera tão deveras,
Sem você, sou mero errante.

Ao chão, envelheço e padeço,
em busca de um pensamento,
Em luto pelo que não fui,

Ao som de uma agulha quebrada.
sem medo do tempo,
que a tornará esquecida.

E o vento me bate tão frio,
sem o menor prezo ou piedade,
não me vale à pena viver
não quero tua saudade.

quero ser Nero de teu corpo,
viver em chamas de tua Roma,
gritar ao mundo que sou deus,
sou o desejo que te ama.




segunda-feira, 14 de abril de 2014

Cidade Proibida




Sobrevoei teu corpo sem maldade,
E ao pousar em tua cidade,
Invadi seu aeroporto.
Adentrei em teu porto,
E naveguei em teu juízo...
Subi em teus edifícios,
Desci ao chão de tuas cascatas,
E na tua arena,
Foste a minha valquíria
Que cavalgaste sem fim.
Colhi frutos em teu pomar,
Surfei em tuas ondas,
Amei o teu amor, sem amar;
Deu-te luas e sóis distantes,
Ao passo, vidas errantes,
Como espírito em mim
A zombar.
Me deste um lar,
E dele eu saía
Tal menino vadio sem rosto,
Que nascia.
Que morria em seu corpo,
Além do palco que se abria,
E por meio dele,
Somente dele,
Prometeu, 
A peça que eu via.

Percorri tuas estradas,
E nelas perdi minha vida,
Colidi com  meus sonhos impuros,
E com o céu que me cobria.
Voltei ao teu mundo de amor,
Surrupiei o pouco que tu tinhas,
Recebi o fogo entrelinhas,
Tornei-me o rio que corria sozinho.
Recebi o teu ninho...
Contudo, embarquei em teus lábios,
Tão meus quanto livres eram,
E em razão de teus lírios que brotavam,
Cantei a canção que em presença
Gritava...

Te amo.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Lágrimas no Escuro





A vela se acaba, a noite me toma,
O pires se queda na sala,
E minha alma se cala,
eu te vejo nas sombras.

Suntuoso, esguio e belo,
lumia o pouco que se resta,
do espaço que se quebra,
razão de tua falta.

Lágrimas me vêm ao norte
de meu rosto forte,
como estrelas nessa noite,
tão fria, sem sorte.

Meu coração se vai ao canto,
segura a dor do pranto,
em meio ausência tua,
em que outrora esteves nua.

A lua não fala, não ama,
e cálida em profundo céu,
lembra-me tua alma, olhos teus,

Assemelha-se a teu corpo quente
E vívido, latente, que somente,
em poucas sementes
nele transbordo em mel.

Passe, noite, venha, meu dia.





quinta-feira, 10 de abril de 2014

Águas Barrentas

Busquemos, antes que seja tarde.





Nosso tempo se vai como águas barrentas,
Como estrelas que brilham em meio ao sol,
O nascer de um fruto, envelhecido pelo céu,
Semelhante à lua, perdida em nuvens, ao léu.

Como pássaros bandidos, feridos pelo caçador,
Caídos na selva negra, do homem faminto.
Nosso tempo se vai, tão frio e cansado,
pelo passo suado do amor que se foi, da dor.

Foi pelo que não fomos e que não deixamos
                                                             de ser,
da matéria busca que se infiltra nata,
Da loucura insensata, que queria ter.

Era o que éramos, nada mais.
Ardilosos tão frios, tais quais rios,
em meio a barcos que se foram,
e não voltaram ao cais.

Nosso tempo morreu e não voltou,
Se fora mais que voltara,
em nossa primeira dor que se fora,
em nosso oceano de quimeras.

Quem dera!

Não há mais o que sentir,
O mundo se foi em contratempos,
E seus rostos se colidiram de tão cegos,
E nele renascemos quando mudos.




quarta-feira, 9 de abril de 2014

Mistério do (teu) Mar.

Teu mar. Misterioso e frio.



Secreto, íntimo, perfeito,
Inatingível, fechado,
calado, sistêmico,
são teus olhos, teu mar.

Profundo, amado,
misterioso, sem som,
frio, suntuoso,
escudo protetor...
É o teu amor.

Mergulho em ti,
em teu sonhos,
em reais quimeras,
e nelas, me dera,

Em manto vermelho,
teu cheiro, teu mundo,
em planetas, cometas,
no fundo do teu mar
de amor,

E de tenro sabor.






terça-feira, 8 de abril de 2014

L´Amour de Toi.






Na ventania, na brisa,
na lira, na dor,
no soluço, de bruço,
no escasso amor,
nas estrelas e mares, 
em terras férteis ou não,
nas luas vadias agudas,
em teu sorriso...
Perdão...!

Em teu corpo macio,
que mo traz confusão,
Em teus olhos alados,
Teu princípio... Razão...

Em vidas e mortes,
Em sortes, canção,
Entre frios e fogos,
Em brasas..
Em vão!

Ele se consome à terra, 
Que de tão bela se foi,
Dispensa palavras,
Que se tornam larvas,
Me faz ser o que fui.

Amor, na frialdade que vem,
eu te peço, por Deus,
Saia deste que te pedes,
E receba este que sou.



Ao Amor