quinta-feira, 10 de abril de 2014

Águas Barrentas

Busquemos, antes que seja tarde.





Nosso tempo se vai como águas barrentas,
Como estrelas que brilham em meio ao sol,
O nascer de um fruto, envelhecido pelo céu,
Semelhante à lua, perdida em nuvens, ao léu.

Como pássaros bandidos, feridos pelo caçador,
Caídos na selva negra, do homem faminto.
Nosso tempo se vai, tão frio e cansado,
pelo passo suado do amor que se foi, da dor.

Foi pelo que não fomos e que não deixamos
                                                             de ser,
da matéria busca que se infiltra nata,
Da loucura insensata, que queria ter.

Era o que éramos, nada mais.
Ardilosos tão frios, tais quais rios,
em meio a barcos que se foram,
e não voltaram ao cais.

Nosso tempo morreu e não voltou,
Se fora mais que voltara,
em nossa primeira dor que se fora,
em nosso oceano de quimeras.

Quem dera!

Não há mais o que sentir,
O mundo se foi em contratempos,
E seus rostos se colidiram de tão cegos,
E nele renascemos quando mudos.




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