quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Entre o Sol e a Chuva



Aves mortíferas em um chão tão puro,
A cair em gramas tão verdes,
Em teus seios suados,
Em meio corpo amarrado
Em teu fruto tão maduro...

Serras brancas em nuvens ocultas,
Não há verde em teu fim,
Apenas gotas salientes,
Como meu amor ardente,
Em tuas vias, enfim.

Onde estás, sol, que não te vejo?
Nem mesmo a esperança amarela,
Que distorce a língua humana,
Assim como nossos ritos na cama,
A te fazer gritar como donzela!

O chão molhado se faz sentir,
Nas pegadas em saltos,
Em pés descalços,
Como um dia em sobressalto,
Fiz teus olhos partir...

Vi tua alma a colidir ao sol,
A respingar lágrimas de dor,
Vi teu corpo gemer de vida,
Como chuvas em janelas,
A bater em telas,
Nosso mais louco amor.

Eras só minha, e minha tu és,
pois em ti construí meu  palácio,
não detive em meus passos,
e naveguei contra marés...

E vejo as árvores, tão solitárias (daqui),
A espera do cessar de um deus,
Que em água remodela meu mundo,
Assim como em teu mais escuro  profundo,
Adentrei no seu.


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