Amor é um fogo que arde sem se ver; É ferida que dói, e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer. (Camões)
quarta-feira, 25 de março de 2015
Sutil
Meu coração
se desfaz em pleno inverno,
ao desabrochar a pétala rosácea,
na pertinente ácida selva híbrida,
à luz de um canto mais idílico.
Minha Alma,
anulada pelo ósculo do vento,
reincidente de outros,
que em furacão em contento,
foram meras brisas de outrora,
Meu corpo,
Espera o teu,
tão irresignado em esperas,
que traspassa luas verdes,
deixa-me com sede,
acordando de quimeras,
Meu céu
acorda em minhas terras,
sem flores em jardins,
desatam sentidos,
carregam contigo
o amor sem mim..
Mas...
A espera ainda arde em vulcão
tão sólida e quente,
por teus olhos latentes,
por teu corpo... Solidão.
terça-feira, 17 de março de 2015
Saudades
Não há sentido no que faço,
Pego minha pena,
Escrevo até a morte,
E me disfarço...
Nada faz sentido,
Nem mesmo o sentido
De olhar o espaço,
Buscar um corpo vago,
que se desfaz no opaco.
Não sou fraco,
Nem possuo uma vida amena,
Tenho até sorte,
Não plena,
De não ser teu amigo,
Mas buscador de tua libido,
Nesse escuro aço,
De estrelas fugidias,
Antigas,
que me lembram a vida,
antes da ida,
antes do nada,
sempre a sua espera,
minha amada.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Caos, Teos... Você.
Caos
Em manhã de
agosto,
Estive
febril,
Andei por
janeiro,
Fui ao seu
ninho matreiro,
Amei o teu
corpo,
Senti os
lírios de abril.
Viajei em
teu espaço,
Nele fui
obreiro,
Construí
estrelas cadentes,
Cometas
meninos,
Pontes de
aço,
Voltei em
março,
Como belo
guerreiro.
Venci
guerras em Netuno,
Amei
mulheres em plutão,
Aos teus
olhos profundos
Voltei em
junho,
E perdi a
batalha do coração.
Teos
Em janeiro
descansei
Das
lembranças que aludi,
De tua alma
criança
Em tão
severa dança,
Como astro
me perdi...
Em
fevereiro,
Cantei
palavras ao teu ouvido,
Em conflitos
fui ferido,
E tornei-me
só teu.
Em março,
Um deus me
chamou,
Deu-me
forças em terras,
Em céus, em
luas belas,
E me fez o
que sou...
Sou abril
que se fechara,
Das
tormentas que passei,
Conheci
infernos santos,
Céus tão
severos,
Vi teu
vermelho manto,
E te amei.
Em maio
morri,
Ressuscitei
do amor,
Casei-me com
teu semblante,
Em meu ser
ausente,
Ao passo tão
presente,
Tornei-me
errante...
Andei em
junho,
Tão jovem
quanto vós,
Semeando
poesias,
Em meio a
feridas,
Que me
fizeram só.
Meu Julho
não era César,
Nada tinha
de romano,
Enfraquecera
em batalha,
Caíra em
fornalhas,
Enfraquecera
em anos,,,
Não sucumbi
em agosto,
Em minha
língua, teu gosto...
Em minha
alma, a lembrança,
Mas em meu
espírito lírico,
Desgosto...
Num
Flores e
amores de setembro,
Prestes a
desabrochar um novo mundo,
Vivas em
sabores, em cores,
Penetrei em
meu eu mais fecundo,
Mas outubro
me veio,
E dele me
cuidei,
Entrei em
meu corpo,
E nele
fiquei,
Levantei em
novembro,
E o sol em
mim se prontificou,
Cortando
nuvens cinzas,
Cascatas
celestes finas,
Enfim, o
vento levou...
Não levara
tudo,
Deixara o
verdadeiro Amor,
Tão
dezembro, tão divino
que, antes
de ir, saudade me deixou...
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Super Nova
Eu vi várias explosões,
estrelas se compondo,
outras se destruindo,
vi escuros se formando,
vários sóis se partindo...
Vi mundos sendo criados,
outros, se diluindo,
como corpos nus se amando,
e o suor da vida em meus olhos
caindo...
Vi o céu tão profundo,
que meus olhos doíam,
era tão forte seu apelo,
semelhante ao meu por teu beijo...
ensurdeci de tanto silêncio,
ao vir tua boca a calar,
morria a cada estrela,
desfazer-se em belezas,
que não sabia relatar...
Teu corpo... O espaço,
meu ser no seu adentrando,
em busca do primeiro cometa,
em plena gravidade sua,
a sentir a cada escuro
tua pele... Nua.
Penetrei no âmago de tua alma,
encontrei loucuras sem fim,
eras donas de mais planetas,
de canções feitas só pra mim...
Nada morreria, no entanto,
nem lágrimas ou pranto,
apenas teus olhos calados,
por mim almejados,
a espera de dormir no canto.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Loucura Natural
Boa noite,
meu sol.
Bom dia,
minha lua.
Como vai,
minha grama dourada,
Minha serra
cinzenta,
Minha nuvem
solitária.
Para onde
ias, minha flor,
Minha gaivota
cansada.
Pouse em meu
peito,
Deixe desse
jeito,
Assim, beber
dessa água
Celeste,
Que cai em
seu corpo,
Minha terra
amada!
E dessa
terra,
Nascem teus
canteiros,
E vos
pergunto...
- o que querem,
Senão falar...
Resmungam o
dia inteiro,
Nesse chão
obreiro,
Sonhando em
fruto,
O teu luto,
E ainda ensinar
o teu beijo,
Sentir o teu
perfume,
E cantar no
escuro,
Feito peixes
em cardume!
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Guerra e Paz
Me
engrandeço em teu corpo,
Em teus
lábios, em tuas plumas naturais,
Viajo sobre
tuas árvores,
E olho para
o teu céu,
Tão rico e
azul,
Quanto teus
falsos olhos.
Me embriago
com teu vinho,
Tão seco e
macio,
Leve e ao
passo forte,
Que degusto
até a última gota.
E no suor
que desce de tuas pernas,
Meus lábios
se vão endemoniados...
Partindo do
cais de tuas unhas
Felinas,
Ao topo de
uma montanha
Inabitada...
Não há saliências,
Nem pujanças,
Há relevos
em círculos,
Serras inebriantes,
Arco-iris na
noite,
Luas tão
frias pela manhã...
E o sol,
Companheiro
do dia,
Encontro em
tua alma,
Em meu fogo,
Em nossos lençóis...
O lago, tão
calmo quanto criança
A dormir,
Espera cativo
nosso espírito de amor,
E teus
pássaros fiéis,
Felizes pelo
grande Dia,
Cochicham uma
canção de paz.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Você, meu Universo.
Achei que
não tinhas fim, Universo,
E não tinhas.
Ao vir teus
olhos fugidios,
Prestes a
roubar a beleza dos lírios,
Encantar as
aves com seus cantos híbridos,
Fiquei
assim...
Tão propenso
a cantar,
Que meu
coração feito lobo,
Em vias de
cheias luas,
(eu te vi
tão nua!)
E louco a
uivar.
Como era
pequeno,
Universo,
Não sabia de
tuas vestes
escuras,
Nem de tua
alma tão pura,
Que me
encantara ao acordar.
Sabia que
Deus existia,
Mas em
formas esguias,
Obriguei-me
a... Chorar.
Era teu
corpo meu Universo,
Onde eu
brincava de menino...
Descia
montanhas,
E suas
entranhas, abrigo,
Tão
assemelhadas ao forte,
Que rumo ao
norte,
Fez-me
cativo.
Roubei tuas
estrelas,
Criei mil versos,
Penetrei em
sua penumbra,
Pousei em
planetas
Fui guerreiro
inércio...
Universo.
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