quinta-feira, 18 de junho de 2015

Semente


Em nome de Deus,
Dos filhos meus,
Dos anos teus,
Em que eu fora plebeu,
E você, rainha.
Em nome do amor,
Dos sois que se põem,
Das luas de outrora,
Das estrelas de agora,
Do escuro infinito,
Do limite, entre mim
E você...
Em nome da terra,
Dos corpos que se amam,
Das sementes que se geram,
E são geradas,
Das partes de um todo,
Do átomo que se biparte,
De suas partes que não são;
Em nome do que me resta,
Dessa imensa floresta,
Em que me perco calado,
Tão frio e solitário,
Como pássaro em céu azul.
Em nome do nada,
Desse véu pálido do pecado,
Dos eternos namorados,
E do coração que se bate...
O que somos?
Nem sei o que somos,
Apenas sei o que queremos.
Queremos um ao outro,
Em meio a guerras ocultas,
Que nos embatem sem luta,
nos agridem como pedras,
embaixo de águas revolutas.
Somos, em nome dos meus
E dos nossos, o que amamos,
O que queremos,
Mas só não somos
O que querem que sejamos...

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Dúvidas


Não mais te amo,

Nem mais sei o que sou.

Trôpego, hibrido; cálido,

Sonhador, errôneo,

Em princípios que não sei.

Apenas não te amo mais.

Palavras se foram vãs,

Em histórias pagãs,

Em que Deus era tudo,

Em meio a nós,

Que não éramos nada,

Apenas sóbrios amigos

De um passado lírico.

E hoje, em busca de ti,

Em outras que não

Amo,

Encontro a ti somente,

Nesse pranto que me espera.

 

Percebo que te amei,

Um pouco...

Mas tão somente como

Uma criança,

Um pequeno verme feroz,

Que corroía teus olhos,

Seus sonhos, sorrisos,

Teu mundo, tua paz.

Percebo, agora,

Que não sou mais um pequeno verme,

Nem um pequeno ser do mundo,

Sou apenas um homem

Em busca do sol,

De seu sorriso,

De tuas luas,

De tuas curvas,

De teu medo,

De seu segredo,

De teu céu!

Acho que... te amo!

Me enganei.

Graças aos deuses,

Me enganei!

Observo agora,

Simplesmente agora,

Que me encontrei

Em tuas formas,

Em teus lírios lisos,

Sem vestimentas,

A cuja beleza

Obedeço...

E dela padeço se não tiver.

Sim,

Descobri que te amo,

Te pertenço,

Me enriqueço,

Empobreço,

E Sobrevivo em forma

de Homem, que sou.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Elo





Simples como o ódio,
violento como a água que desce,
em chamas como o fogo que queima,
físico como garras no sangue..

Bruto como a dor da vida,
sério como o caos,
frio como a geleira sagrada,
inquebrantável como ouro...

Cego como as nuvens,
cíclico como Deus,
selvagem como tigres,
amantes como lírios...

Doce como água pura,
belo como a certeza,
amado, como a arte,
verde, como a beleza.

Assim é o nosso amor,


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Linda Dor




Sinto ainda seu corpo
Suando no meu,
Uma água fria,
que se vai febria,
embriagando vias,
como Vênus prometeu.

Desce doce em meu peito,
em trajetos quentes
do seu leito,
Molhando crua a tua lua,
suas serras, seu desejo.

E cai enlameando curvas,
e eu sem luvas,
devorando-te nua,
tão menino sem cor.

Tão saliente em maldade,
destruindo saudade
em teu mundo
de amor.

Vinguei minha dor,
tão fina e distante,
tão séria e errante,
agora era bela como
uma flor

Desfiz a maldição,
que cantei em outrora,
pois, naquela dia, (e hora),
eras meu sonho
minha bela ilusão.

E o norte se fez real,
em abraços, em beijos,
que jamais te dei.

Nossos brios ungidos,
como crentes remidos,
por caminhos que passei.

A santidade se desfez
e teus olhos eram meus,
nada mais se dizia,
apenas uma canção se ouvia...

A canção do amor meu.


E cansados, nos amamos,
e no descaso do amor,
nos matamos!

E ao ressuscitar do leito,
olhei teu belo peito,
e te amei muito mais,
cantei poemas líricos,
que se esvaiam como mitos,
que em sonhos não se veem tais.

Amar-te é como fogo,
que sobe como espírito meu,
se desfaz por falta de lenhas quentes,
volta como meros umbrais.

E nesse dia, fui um fogo,
que te amou ferozmente,
como um leão vadio,
que se molha em rio,
após devorar presas inocentes.

Esse sou eu, e tu, minha breve
rainha,
tão pobres quanto mendigos,
em busca de um simples abrigo,
meros amantes, em busca de alívio.






quarta-feira, 13 de maio de 2015

Você, meu meu sol, minha chuva.





E o sol não nasceu...
Uma Nuvem cinzenta,
avarenta,
Robou-me o que era meu.

Fez-me sucumbir,
cair,
Ver a terra molhada,
arraigada,
de passos seus.

Um breu se fez.
Era noite.
A escuridão me perseguiu,
e deu-me um açoite.
Não temi o meu fim,
era apenas um início
de um mero precipício,
de você sem mim...

Em prantos nas águas,
sob a chuva de verão,
entonei seu nome,
tornei-me homem,
em plena solidão..

E o sol surgiu,
em pernas lisas,
em sorrisos obtusos,
em forma de deusa lírica,
não havia mais escuro.

O perfume da rosa
em mim se fez,
a canção das ondas,
do lírio e das pombas,
Fazias parte de mim,
outra vez.

Um beijo na alma
em desejo em teu corpo,
uma leveza da calma,
me encontrei em teu gosto.

Nus nas areias do deserto,
em céus descobertos,
em brios finos te amei,

Nem mesmo o sol que se ia
em seu perdão que partia,
retirou o sonho da memória,
do amor que em nós havia (eu sei).

sábado, 2 de maio de 2015

Vermes Elegantes

Sinto uma dor terrível,
a dor da solidão.
Dessas dores que tornam
o forte fraco,
dessas que sugam o caule
do coração.

Parece-me que me arrancam as visceras
com a própria mão,
Dando flores que com a mão esquerda
sorria,
Com a mão direita se ia,
Que com apertos se vão.

Hoje eu morri
Não sei amanhã,
talvez as montanhas me vejam,
os céus me julguem,
mas não vou não...

Sei apenas do meu coração,
dói demais por nada,
como louco em disparada,
como filhos em desunião.

Mas o universo é assim,
formigas querem gigantes ser,
e sóis, meros vaga-lumes,
Andorinhas nadar em cardumes,
e peixe fazer verão.

Ainda não me vou, nem quero ir,
são apenas reflexos do homem.
subjugando meu mundo,

E aquele tão vagabundo,
tão imundo sem lar,
com lanças de areia,
prestes a julgar.

O que são, se não vermes
como sábios a opinar,
sobre nada em mundo vil,
sugando outros, sem par.







quinta-feira, 30 de abril de 2015

Descobri...






Descobri que o céu é o próprio inferno
revestido de azul,
Quando o demônio está em nós...
Descobri que a beleza humana só existe
aos olhos do interesse,
Que o interesse é mesquinho,
um bicho verde que arranca as vísceras da alma,
A pele..
que provoca fungos, lodos, dor...
Ao ponto de tocar no fundo do fosso,
onde me encontro.

Descobri que a dor é uma mentira,
que seus olhos de mestra,
sua mãos de fada,
sua voz divina,
não mais são que feições do horror,
da humilhação,
da discórdia entre monstros
que residem em nós.

Descobri que somos apenas pele e osso,
que alma só existe nos homens
que nela acreditam,
Descobri que a cova é a nossa melhor
moradia,
onde ninguém te encontra,
apesar do corpo frio e banalizado
pelos vermes.

Descobri que somos sós,
não há ninguém,
não há homem ou mulher verdadeiros,
que se possam amar, confiar,
ou mesmo chorar em ombros.
Apenas seres hipócritas,
naturais do planeta hipócritus,
que vieram à terra,
depois que aquele planeta se foi
pela demasia hipocrisia...

O que me salva,
e nem sei se é real,
a tua presença,
o teu fingido amor real,
que me subtrai a dor,
pela saudade real,
que me faz andar,
viver, sentir, cantar,
e um dia sonhar
dentro de seu sonho
um possível e real amor.