segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Rebeldes na Cama





Ao vir teu semblante,
Calhei meus olhos de criança
Em teu corpo em bonança,
Tão macio e belo,
Tornei-me donzelo,
Tornei-me amante.

Afogue-me em teu escuro,
Penetrei em teu espaço,
Tão severo e opaco,
Que me deras alegria
Em criança de um passado
Puro...

Voltei-me em teus lábios,
Sufoquei tua boca,
Santifiquei tuas pernas,
Ao beijá-las em selva,
Deixando-te louca...

Não era eu,
Nem mesmo você...
Éramos bailarinos surrados,
Encharcados de suor,
Éramos passados,
Presentes amados,
Em busca do que se perdeu...

Como te amei!
E não era uma canção...
Era doce como um doce,
Salgado, malvado, alado,
Vívido, tímido, calado,
Sem escudos de proteção...

Era sim uma canção...
Dona de meu peito,
De minha alma abandonada,
Em esfera além-leito,
Eu era só coração!

E tu, o que eras?
Deusa do drama grego,
Amada em uma cama,
Aberta ao meu lema,
Como um belo dilema,
Ao lado de um homem

Que te ama...

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Pequeno Verde





Verde, estático, à beira de um telhado...
Bico fechado, asas por voar...
Pés unidos, corpo em sentido,
Teus olhos pontiagudos, agudos,
Em meu mar.

Tão frio, como águia na solidão,
Abriste frestas em minha janela,
Senti-me prisioneiro em cela,
E o céu como vilão.

Não sei para onde ias,
Nem sei se o que amavas,
Sei que eras uma ave pequena,

E eu a contemplar tua pureza amena,
Revestida de beleza plena
Esverdeando mais o mundo,

a levar minha alma serena
Ao canto mais profundo. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Insustentável




Dor inviolável
No cantinho de minha alma,
Se expande devagarinho,
Deixando-me em trauma...
Dessa dor que não se esvai,
Meu galho de esperança
É você;
Minha sintonia,
 Minha vida,
Minha liberdade...
É você.
Não escuto essa dor,
Que do meu clamor não cala,
Se instala,
Estala... Com um trovão.
E a chuva me vem fria,
Em meu rosto vermelho,
Impiedosa,
Vaidosa,
Morrendo a rosa
Que nasceu para florescer...
Põe-se a morrer.
E não voltar mais...
Intragável,
Insustentável,
Invisível,
Tão nódoa de meu copo de plástico,
No fundo de meus pensamentos de vidro.

Dor.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Outro lado




Amor é ar,
É verme, é sangue;
Amor é comida,
Amor é escuro solitário,
É sair da morte por sorte.
É viver sem horário.
Amor não é sentimento,
Nem mesmo o frio na espinha,
Ou a espinha da flor,

Pois amor é sinfonia fora do ritmo,
Fora de tudo,
Dentro da dor.
Desespero em gritos,
Tão pobre quanto
Criança faminta,
A devorar capins santos.
O resto é favor.

Amor nada é,
Senão o próprio amor.
Sem nada a dizer,
Sonhar, sorrir.
É fruto do diabo,
Que engana o bobo,
Nascido nas trevas frias,
Ao contrário do fogo.



Amor sou eu.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O segredo de teu caminho







Tua voz que me arranha a alma,
que provoca barulhos sutis
Deixa-me frio de saudade,
com trauma.

Onde estás que não me liga.
Perdido estou sem teu nome,
cansado de esperas como fome,
e comer teu mundo como o último
Homem...

Estás sozinha em tabernas,
soltas como pássaros em vão?
a voar em céu nublado,
Oh, aluvião!

Não estás perdidas,
eu é que estou.
Possuída pela liberdade íntima,
Por não saberes que sou...

Mas sei que tu és,
e sei para onde vais,
és meu derradeiro sonho,

que andas nessa terra maldita,
a pensar em luas em que habita
atrás do sol que lhe atrai.

Não me trais, apenas se conduz,
tão perfeita em teu andado,
suntuoso corpo amado,
teus olhos, como luz.

Deixe saber apenas onde estás,
por meu coração bandido,
ao sentir-se tolhido,
por deixar-te escapar tão fugaz.

Ao chegar,
deite-me em teu colo,
em tuas pernas que um dia beijei.

Deite-me em tua cama,
ame-me como Brahma*,
como a última que deixei.

Dê-me teu corpo,
todo ele pra mim,
faça-me teu animal sem pê-lo,

Eleve-me ao cimo de tua montanha
e sinta meu apelo,
que um dia em segredo,
implorou por mim.


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*deus milenar indiano, adorado até hoje.





terça-feira, 7 de outubro de 2014

Teus Mares, Meu Navio






Mares bravios teus,
em meus navios ateus,
Queimar em fogo Zeus,
morrer em cruz de Prometeu,
pelo ar que respiras em Deus.

Morrer em teus lábios frios,
torná-los quentes em rios,
penetrar em cada ponta
de teus fios,
chamar-te e amar-te 
por lírios...

Ao vir tua beleza,
a concatenar em Natureza,
Com breves fios de sutileza,
na clareza de teus olhos,
Certeza...

E deságuo em teu cais,
em tuas luas gêmeas, jamais,
Tão pontiagudas e desnudas,
frutos de inspiração divina,
vê-las-ei em meus lábios
não mais.

Soberba mentira,
que do teu fogo me atira,
sabes tu que és meu sonho veludo,
a crença de meu mundo,
meu tudo.





quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Visitante







Corpo.
Pele,
frio,
quente,
vida.
Vontade,
loucura,
ansiedade,
sorriso,
tonturas.

altura,
relevo,
baixo,
quieto,
paz,
guerras,
fogos,
deuses
e demônios.

Comida,
sofá,
cadeira,
sonhos,
relentos,
abraços,
roupas,
sem roupas,
sexo,
nexo,
provas
de amor.

Lampejos,
relâmpagos,
trovões,
tsunamis,
terremotos,
vulcões,
dragões,
feras,
eras
bela,
oi.

Colchão,
cama,
lençóis,
sujeira,
portões...
portas,
paredes,
tintas,
verdade,,,
maldade,
entidade,
pêlos,
vias,
lírios,
teclas,
sonhos...

Eu volto.