segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Rebeldes na Cama





Ao vir teu semblante,
Calhei meus olhos de criança
Em teu corpo em bonança,
Tão macio e belo,
Tornei-me donzelo,
Tornei-me amante.

Afogue-me em teu escuro,
Penetrei em teu espaço,
Tão severo e opaco,
Que me deras alegria
Em criança de um passado
Puro...

Voltei-me em teus lábios,
Sufoquei tua boca,
Santifiquei tuas pernas,
Ao beijá-las em selva,
Deixando-te louca...

Não era eu,
Nem mesmo você...
Éramos bailarinos surrados,
Encharcados de suor,
Éramos passados,
Presentes amados,
Em busca do que se perdeu...

Como te amei!
E não era uma canção...
Era doce como um doce,
Salgado, malvado, alado,
Vívido, tímido, calado,
Sem escudos de proteção...

Era sim uma canção...
Dona de meu peito,
De minha alma abandonada,
Em esfera além-leito,
Eu era só coração!

E tu, o que eras?
Deusa do drama grego,
Amada em uma cama,
Aberta ao meu lema,
Como um belo dilema,
Ao lado de um homem

Que te ama...

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