sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Guerra e Paz




Me engrandeço em teu corpo,
Em teus lábios, em tuas plumas naturais,
Viajo sobre tuas árvores,
E olho para o teu céu,
Tão rico e azul,
Quanto teus falsos olhos.
Me embriago com teu vinho,
Tão seco e macio,
Leve e ao passo forte,
Que degusto até a última gota.
E no suor que desce de tuas pernas,
Meus lábios se vão endemoniados...
Partindo do cais de tuas unhas
Felinas,
Ao topo de uma montanha
Inabitada...
Não há saliências,
Nem pujanças,
Há relevos em círculos,
Serras inebriantes,
Arco-iris na noite,
Luas tão frias pela manhã...
E o sol,
Companheiro do dia,
Encontro em tua alma,
Em meu fogo,
Em nossos lençóis...

O lago, tão calmo quanto criança
A dormir,
Espera cativo nosso espírito de amor,
E teus pássaros fiéis,
Felizes pelo grande Dia,
Cochicham uma canção de paz.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Você, meu Universo.





Achei que não tinhas fim, Universo,
E não tinhas.
Ao vir teus olhos fugidios,
Prestes a roubar a beleza dos lírios,
Encantar as aves com seus cantos híbridos,
Fiquei assim...
Tão propenso a cantar,
Que meu coração feito lobo,
Em vias de cheias luas,
(eu te vi tão nua!)
E louco a uivar.

Como era pequeno,
Universo,
Não sabia de tuas vestes
escuras,
Nem de tua alma tão pura,
Que me encantara ao acordar.
Sabia que Deus existia,
Mas em formas esguias,
Obriguei-me a... Chorar.

Era teu corpo meu Universo,
Onde eu brincava de menino...
Descia montanhas,
E suas entranhas, abrigo,
Tão assemelhadas ao forte,
Que rumo ao norte,
Fez-me cativo.

Roubei tuas estrelas,
Criei mil versos,
Penetrei em sua penumbra,
Pousei em planetas
Fui guerreiro inércio...

Universo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Teu Cheiro






Senti cheiros de montanha,
Dos teus olhos,
De tuas entranhas,
E morri.
Assim...
A solidão enfim se foi,
Ao vir tua várzea sem fim,
Como uma cidade em rios,
Desfazendo-se em mim...

Teu verde
Cheirava a capim,
E suguei com olhos cerrados,
Levados ao sonho poeta,
Em primas veras concretas,
Tão bela quanto o teu jardim.

Fui ao céu e agradeci pelo Nada,
Em que mergulhava em sorrisos,
Tão abstratos tal essência,
Tão absurdo em coerência,
Não tão lírico sem você,
Minha amada...

Meus desejos embargados,
Pelos teus olhos sintéticos,
Por teu sorriso alado,
Por tua voz comprimida,
Fazem-me um deus calado.

Daqui vejo suas serras,
A quebrar meu lago extenso,
Vejo tuas nuvens a cobrir meu céu de dor,
Vejo tua ponte
A ligar meu horizonte,
Meu mundo,
Seus montes,

Onde mora meu amor.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Granizo







Perder a Rosa e seu perfume,
O mar, os peixes, seu cardume...
Morrer em jardins floridos,
Em cores pálidas,
Em vias esquálidas...
Estrume.
Perder lembranças,
Colher sementes,
Em minha mente,
Você caiu...
Fores como flores,
Que roubavam
Meu amor,
Meus amores,
De encanto que em mim

Jamais se viu.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Entre o Sol e a Chuva



Aves mortíferas em um chão tão puro,
A cair em gramas tão verdes,
Em teus seios suados,
Em meio corpo amarrado
Em teu fruto tão maduro...

Serras brancas em nuvens ocultas,
Não há verde em teu fim,
Apenas gotas salientes,
Como meu amor ardente,
Em tuas vias, enfim.

Onde estás, sol, que não te vejo?
Nem mesmo a esperança amarela,
Que distorce a língua humana,
Assim como nossos ritos na cama,
A te fazer gritar como donzela!

O chão molhado se faz sentir,
Nas pegadas em saltos,
Em pés descalços,
Como um dia em sobressalto,
Fiz teus olhos partir...

Vi tua alma a colidir ao sol,
A respingar lágrimas de dor,
Vi teu corpo gemer de vida,
Como chuvas em janelas,
A bater em telas,
Nosso mais louco amor.

Eras só minha, e minha tu és,
pois em ti construí meu  palácio,
não detive em meus passos,
e naveguei contra marés...

E vejo as árvores, tão solitárias (daqui),
A espera do cessar de um deus,
Que em água remodela meu mundo,
Assim como em teu mais escuro  profundo,
Adentrei no seu.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Em nome dos teus






Pensamentos me levem à brisa
Coadunados com teu sorriso,
Com o sal de teus cabelos,
Com a frialdade de tua saudade,
Com o amor de meus apelos.

Levem-me a Deus,
que se pôs diante de nós,
tão levados como crianças,
em andanças, 
em poemas que dissera
atroz...

Que amor foi esse,
que me fez um pouco de tudo,
das flores às estrelas,
ao mundo imundo...

Guerras e paz,
amor e ódio,
faunas e floras,
e suas estações...

Te amo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Exaltação







Unhas pontiagudas em meu peito,
Rasgando pêlos, em selos de carta,
Pensei no nada, e nele fiquei,
Rasguei teu corpo,
Ao chegar ao topo, saltei.

Nem passarinhos,
A voar sozinhos em serras,
A deixar cair seus ninhos
Em Terras,
Imaginei...

Lábios sutis em tua pele,
Cansados de viajar,
Rondou tuas montanhas,
Tuas vias e entranhas,
E em tua boca desaguou.

O acaso se fez
Ainda que não existisse,
Lá estávamos em lírios,
Suando alegrias em um mundo
Triste...

Como te amei...!
Resguardei a dor da vida,
Martírios de outrora,
Lágrimas de vidas passadas,
Eu voava sobre tua aurora...

E nos instantes,
No presente que me cabia,
Pensar num futuro,
Desde passados que se iam,

Era a gota de meus lábios,
O suor de nossa folia,
Em murmúrios que cantavam,
Em saudades que surgiam...