terça-feira, 19 de agosto de 2014

No Escuro de Teu Espaço







Entrei em teu escuro,
Hibernei em tua floresta,
Desci teus morros,
E em teu céu vi o amor
Que me resta.
Andei em tuas montanhas,
Dancei em tuas espanhas,
Chorei a falsa chuva,
Minhas mãos em tua luva,
Em teus salões eu fiz festas.
Em teu amor, porém,
Vi tuas brumas a cegar,
Vi tua alma gelada,
De ventos carregada,
Eu vi teu mar.

Tomei banhos de paixão,
Não queria sair de teu mar,
Antes vivia de razão,
Hoje meu coração
Ressuscita em teu rezar.

Não rezes por mim,
Dê-me apenas teu amor,
Não vaciles em meu corpo,
Esse ser vazio e louco,
Na certeza de viver por ti.

Sai de teu escuro,
Acordei ao sol manifesto,
Subi teus rios quentes,
Desci do céu em protesto.
Não há montanhas,
Apenas o amor,
Esse ser colosso,
Como urso trôpego,

Que me ama sem amor.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A Foto e a Cor do Rio

Poema



Era da cor de um rio,
De um pássaro no cio.
Eras da cor de um fogo,
De um sol em seu estado febril.
Era tão quente que nem toquei,
Pois amava tão breve,
Ao passo confuso,
Seu final de abril.

Vi teu corpo,
Nada de mais.
Apenas um eflúvio,
Hibrido e recluso mundo,
Em sua forma mais senil.

Portas abertas,
Luas em seu pomar,
Canteiros a amostra,
Como eu poderia nadar?
Não sabia,
Não servia,
Apenas te via,
Como uma bela cotovia,
A me observar.

Eu é que te via, cotovia,
E sonhei com tuas vias,
Seu estreito olhar;
Cantei em coro com minha alma,
E sem trauma,
Voltei a te amar.

Eras devassa, não é mais,
Teu confesso mundo,
Harmônico com o meu imundo,
E sujo cantar,
Perdeu-se em mim,
Perdeu-se em ti...

Não quero mais te olhar.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Possessivo





És minha, nada mais;
Não subjugues teus anseios,
Teus medos e segredos,
Pois és minha, nada mais.
Não construa teu mundo,
Com tijolos finos,
Com alma de menino,
Pois és meu mundo,
Nada mais.
Sabes o quanto te quero,
O quando te venero,
Tão mais que Deus
E aos pássaros o cais.
Não me deixe pensar,
Nem mesmo viver,
Sobreviver quem sabe,
Nas ondas imprecisas
Unidas à tua brisa,
Pois és minha,
Nada mais.
Não queira fugir
Do meu campo,
Nem mesmo chorar
Um grande pranto,
Ou sorrir na hipocrisia do mundo...
Se quiser, morrer, me diga,
Se quiseres correr,
Não faça.
Pois tua vida és minha,
Teu amor é meu,
Tua dor e alegria,
Sua breve sintonia com Deus,
Tudo... tudo em você é meu.
Simplesmente porque és minha,

Nada mais.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Nas Teclas de Seu Corpo





Nas teclas sutis de seu corpo
Toco macio e componho uma música.
E como um compositor barato,
Me alegro em devaneio,
Sonho, me elevo, não caio;
Vou-me mais que a Barsárgada do poeta,
Vou ao paraíso, debaixo de cobertores finos,
Tão brancos, tão sujos, amarelados,
Quentes pela nódoa de nosso amor.

Não acordo, pois não estou dormindo,
Nem mesmo com os olhos cerrados,
Mas acesos como o de uma coruja na noite,
Sem perder minutos de seus movimentos,
De sua pele glacê, de seus cabelos de sol;

Nas teclas sutis de seu corpo macio,
Nas luas em que toco melodias finas,
Encontro o cimo de seu peito,
Tão pontudo, de veludo,
Aguardando meu único beijo.

Meus lábios se decompõem...
E percorro em criança,
Como senhores das andanças,
As vias curvas que são minhas e tuas
Vias.

Meu cansaço, meus olhos, meus braços...
Meu hibrido sentimento passional,
Eterno, humano, animal...
Não me inibe, me colide
Com teus telúricos rochedos,
Nos quais meu mar em segredo
Se vai e se vem.


Queria compor uma música...

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Descaso de Deus




Ainda ontem,
Deus não existia;
Preso ao meu corpo,
Findo sol que se fora,
Pensei em minha ira,
No quebrar de tudo.
Não havia amor,
Apenas uma lira
Tocando meu medo...
Meu rancor.
Era meu coração
Em segredo,
Morrendo de ódio,
Sem lua, vermelho.
Mas em tua foto,
Livre de rasuras,
Sonhei nas alturas,
Um sonho
Que não se pode ter.
Você ao meu lado,
Um colo amado,
Teus olhos risonhos,
E eu, tristonho,
Como um fiel,
Olhando para você.
Deus não me ouvira;
Não estavas tu em mim,
Nem eu em ti,
Somente a semente
De um demente,
Perdido em si,
Colhendo frutos do nada,
De uma árvore oculta,
Morrendo sem luta,
Como uma flor de plástico,

Pedindo para existir.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Eterno Enamorado






Raras vezes não sei o que dizer, e essa é uma delas. Já escrevi tanto para ti, por ti e em tua homenagem, que me faltam teclas, verbetes para iniciar algo que em mim bate. Meu coração, no entanto, tão quente para isso, pede que faça, em nome de sua semântica para qual veio, algo que tenho em mim, mais uma vez para você, meu amor.

Amanhã, o Dia dos Namorados, o dia em que do pequeno ao maior humano se unem para trocarem juras de amor, presentes, carinhos... E eu, hoje, depois de tanto tempo enamorado de seus olhos, de sua cor, de seus lábios e alma, teclo esses pequenos botões com a mesma finalidade de anos atrás, dizer-lhe que te amo, e te desejo tanto quanto os primeiros dias em que te conheci. É vero.

Não sei dizer verdades práticas. Mas sei dizer a minha verdade, que burla em minha pequena e insignificante alma, o que a corrói, que não a deixa dormir. É a vontade de dizer “Te Amo” bem alto, do mais alto rochedo, edifício, e chorar como menino que sou – ou pelo menos, era quando a vi.

Amor, não me deixe. Sinto que és minha música matinal, meu eterno silêncio furioso, meu mais simples e belo ato amoroso. Dele alcanço minha palavra preferida – Liberdade --, que se esconde em teus abraços, em teus olhos, em tuas dunas naturais quando cumplice estamos; em teu beijo...

Como eu te Amo! Pena não poder dizer nas ruas, com toda voz ao mundo, que atinja o universo infinito, nas primas galáxias inalcançadas pelo homem... Mas estou aqui, quieto, olhando teus olhos, perto de cair-me aos prantos, pelos singelos cantos que Deus um dia teve a complacência de criar...

Não deixe de pensar em mim... Pois o que faço, como homem teu que sou, é possuir-te todos os dias, como um adolescente confuso, sem rumo, ao passo feliz pelo amor que tem, o pouco que posso.

Amor... Caminhemos, em nossos sonhos, como namorados, eternos enamorados, apaixonados que somos, apesar da grande distância que o dia nos propõe. No entanto, como retrato de uma beleza indecifrável, danças, corres, brincas e me amas, em um mundo paralelo que só eu posso ter.
És a ponta de meu segredo, um livro clássico escondido, a flor azul em que um pássaro vermelho pousa, nos dias em que a terra se esconde do mal. És a lembrança querida, que, em segundos, se vai, e me deixa com o gosto de eternidade em meu ser.

Não sei mais o que dizer, apenas ouvir os pequenos passos de sua solidão, que se encontra com o meu barco, e nele, assim como no passado, peço... “entre, vamos navegar ao fim de nossos sonhos, e realizar outros, mais fortes, densos, aventureiros, com gosto de amor nos lábios”! – como sou romântico...


Preciso disso, pois somente o homem romântico reconhece a poesia nas entrelinhas da vida, além da alma que se esconde nas pedras, e, você, meu mais belo texto poético, tão hibrido de paz e guerras, deixa-me amargo ao passo vívido, como dizia o grande poeta clássico... “Cheio de vida”, onde ela não há.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Sonho





Sabe...
Quando dos teus olhos retiro águas.
É do oceano que me salvo,
Do teu corpo denso,
Como em florestas pensas,
Me reluto a sair.
Dessas luas das quais imagino o sol,
Das terras límpidas que amei em pequeno,
Do sonho que sonhei e não quis acordar,
Do brio de sua pele,
Do seu perfume,
Dos teus lagos,
De seus cardumes...
Como eu te amo!
Minha alma flutua,
Meu espírito forte,
Meu pensamento ao norte,
Te procuram
E te encontram,
Como veias em rios,
Como fadas e nuvens,
Vida e morte...
Sabe...
Quando toco teus lábios,
Não o toco somente,
Parece-me mistérios
De uma vida ausente,
Ao passo amargo,
Pelo que trago
Em meu ser presente.
Como eu te queria,
Te quero, venero,
E sincero prossigo,
Como criança divina,

Em busca de seu eterno brinquedo.