terça-feira, 19 de agosto de 2014

No Escuro de Teu Espaço







Entrei em teu escuro,
Hibernei em tua floresta,
Desci teus morros,
E em teu céu vi o amor
Que me resta.
Andei em tuas montanhas,
Dancei em tuas espanhas,
Chorei a falsa chuva,
Minhas mãos em tua luva,
Em teus salões eu fiz festas.
Em teu amor, porém,
Vi tuas brumas a cegar,
Vi tua alma gelada,
De ventos carregada,
Eu vi teu mar.

Tomei banhos de paixão,
Não queria sair de teu mar,
Antes vivia de razão,
Hoje meu coração
Ressuscita em teu rezar.

Não rezes por mim,
Dê-me apenas teu amor,
Não vaciles em meu corpo,
Esse ser vazio e louco,
Na certeza de viver por ti.

Sai de teu escuro,
Acordei ao sol manifesto,
Subi teus rios quentes,
Desci do céu em protesto.
Não há montanhas,
Apenas o amor,
Esse ser colosso,
Como urso trôpego,

Que me ama sem amor.

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