quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A Foto e a Cor do Rio

Poema



Era da cor de um rio,
De um pássaro no cio.
Eras da cor de um fogo,
De um sol em seu estado febril.
Era tão quente que nem toquei,
Pois amava tão breve,
Ao passo confuso,
Seu final de abril.

Vi teu corpo,
Nada de mais.
Apenas um eflúvio,
Hibrido e recluso mundo,
Em sua forma mais senil.

Portas abertas,
Luas em seu pomar,
Canteiros a amostra,
Como eu poderia nadar?
Não sabia,
Não servia,
Apenas te via,
Como uma bela cotovia,
A me observar.

Eu é que te via, cotovia,
E sonhei com tuas vias,
Seu estreito olhar;
Cantei em coro com minha alma,
E sem trauma,
Voltei a te amar.

Eras devassa, não é mais,
Teu confesso mundo,
Harmônico com o meu imundo,
E sujo cantar,
Perdeu-se em mim,
Perdeu-se em ti...

Não quero mais te olhar.

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