quarta-feira, 13 de maio de 2015

Você, meu meu sol, minha chuva.





E o sol não nasceu...
Uma Nuvem cinzenta,
avarenta,
Robou-me o que era meu.

Fez-me sucumbir,
cair,
Ver a terra molhada,
arraigada,
de passos seus.

Um breu se fez.
Era noite.
A escuridão me perseguiu,
e deu-me um açoite.
Não temi o meu fim,
era apenas um início
de um mero precipício,
de você sem mim...

Em prantos nas águas,
sob a chuva de verão,
entonei seu nome,
tornei-me homem,
em plena solidão..

E o sol surgiu,
em pernas lisas,
em sorrisos obtusos,
em forma de deusa lírica,
não havia mais escuro.

O perfume da rosa
em mim se fez,
a canção das ondas,
do lírio e das pombas,
Fazias parte de mim,
outra vez.

Um beijo na alma
em desejo em teu corpo,
uma leveza da calma,
me encontrei em teu gosto.

Nus nas areias do deserto,
em céus descobertos,
em brios finos te amei,

Nem mesmo o sol que se ia
em seu perdão que partia,
retirou o sonho da memória,
do amor que em nós havia (eu sei).

sábado, 2 de maio de 2015

Vermes Elegantes

Sinto uma dor terrível,
a dor da solidão.
Dessas dores que tornam
o forte fraco,
dessas que sugam o caule
do coração.

Parece-me que me arrancam as visceras
com a própria mão,
Dando flores que com a mão esquerda
sorria,
Com a mão direita se ia,
Que com apertos se vão.

Hoje eu morri
Não sei amanhã,
talvez as montanhas me vejam,
os céus me julguem,
mas não vou não...

Sei apenas do meu coração,
dói demais por nada,
como louco em disparada,
como filhos em desunião.

Mas o universo é assim,
formigas querem gigantes ser,
e sóis, meros vaga-lumes,
Andorinhas nadar em cardumes,
e peixe fazer verão.

Ainda não me vou, nem quero ir,
são apenas reflexos do homem.
subjugando meu mundo,

E aquele tão vagabundo,
tão imundo sem lar,
com lanças de areia,
prestes a julgar.

O que são, se não vermes
como sábios a opinar,
sobre nada em mundo vil,
sugando outros, sem par.







quinta-feira, 30 de abril de 2015

Descobri...






Descobri que o céu é o próprio inferno
revestido de azul,
Quando o demônio está em nós...
Descobri que a beleza humana só existe
aos olhos do interesse,
Que o interesse é mesquinho,
um bicho verde que arranca as vísceras da alma,
A pele..
que provoca fungos, lodos, dor...
Ao ponto de tocar no fundo do fosso,
onde me encontro.

Descobri que a dor é uma mentira,
que seus olhos de mestra,
sua mãos de fada,
sua voz divina,
não mais são que feições do horror,
da humilhação,
da discórdia entre monstros
que residem em nós.

Descobri que somos apenas pele e osso,
que alma só existe nos homens
que nela acreditam,
Descobri que a cova é a nossa melhor
moradia,
onde ninguém te encontra,
apesar do corpo frio e banalizado
pelos vermes.

Descobri que somos sós,
não há ninguém,
não há homem ou mulher verdadeiros,
que se possam amar, confiar,
ou mesmo chorar em ombros.
Apenas seres hipócritas,
naturais do planeta hipócritus,
que vieram à terra,
depois que aquele planeta se foi
pela demasia hipocrisia...

O que me salva,
e nem sei se é real,
a tua presença,
o teu fingido amor real,
que me subtrai a dor,
pela saudade real,
que me faz andar,
viver, sentir, cantar,
e um dia sonhar
dentro de seu sonho
um possível e real amor.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Perdoe-me...






Perdão por me sentir humano...
Por me sentir um pouco verme,
Um pouco Deus.
Perdão por me sentir divino,
Louco, e visceralmente ateu.

Perdão, minha Deusa,
se não te vejo mais,
se não te amo mais,
se te amo todos os dias...

Perdão por me sentir bem com a dor,
por me sentir mal com a fé,
Por me perder e não me ver em espelhos...

Desculpe-me pelo vasto mal que te fiz,
sugando sua alma,
deixando-te em trauma, infeliz.

E nessa ventura de sentir,
de morrer e voltar, e sofrer e matar,
e cair e levantar,
Peço perdão pelo demasiado sonho,
este pelo qual luto,
reluto, translúcido, relúcido...
Morro.

Perdão, mulher,
pelo tudo e pelo nada,
pelas águas que por nós passaram,
pelas terras que me enterraram,
pelos coveiros vivos que me circundam,
pelos lobos em carneiros de gravatas,
pelas vacas bípedes,
alinhadas a puxar o leite do boi...

Perdão, pelas serras que não vi,
pelos pássaros que se foram,
pelas nuvens que esconderam o sol,
pela lua que sorriu doente,
por sua mera e bela vida em mim ausente...

Perdão pelos seres sem alma,
que rondam feitos zumbis de dia,
Pelas infames palavras que pronunciam na noite,
em busca de um Deus sem vida,
pelos dias que morri sentado,

e

obrigado pelos dias que levantei na noite,
fui atrás de seu âmago,
e olhei o céu,
tão estrelado, fadado a ser belo,
nem tanto quanto ao seu sorriso,
do qual sinto saudades.

Perdão por ser breve,
mas a vida o é,
e serei também,
e por isso, um dia morrerei,
e deixarei, em lembranças,
o que muitos não tem..

Você.


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Beleza Eterna Estranha


Meu coração se foi
sem teus olhos de abril
Foi como chuvas de março
Em vias primaveril....

Soava como sino de igrejas
em pequenas capelas
que ornavam tua beleza
E tudo fora pueril...

Ele se foi como ladrão
Desses que roubam uma canção
Nascem em teu sussurro
Morrem em vão...

Era preso a tua alma
ferida por palavra em larva
descera quente em terra minha
Em terra farta;

Não mais preso em solidão,
nem mesmo ao teu corpo,
belo e livre em canção.

Não mais preso em tua anca
em teu livro de bonança
de páginas frias e amarelas,
que eu queria tanto ler...

Nem tuas flores em metáforas,
tuas montanhas cerradas,
tão pontiagudas e amadas,
Não sei delas viver.

Sei apenas que te amo,
e em nome do que se foi
daquilo que sempre será
Tudo será eterno.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Sutil




Meu coração

se desfaz em pleno inverno,
ao desabrochar a pétala rosácea,
na pertinente ácida selva híbrida,
à luz de um canto mais idílico.

Minha Alma,

anulada pelo ósculo do vento,
reincidente de outros,
que em furacão em contento,
foram meras brisas de outrora,

Meu corpo,

Espera o teu,
tão irresignado em esperas,
que traspassa luas verdes,
deixa-me com sede,
acordando de quimeras,

Meu céu

acorda em minhas terras,
sem flores em jardins,
desatam sentidos,
carregam contigo
o amor sem mim..

Mas...

A espera ainda arde em vulcão
tão sólida e quente,
por teus olhos latentes,
por teu corpo... Solidão.











terça-feira, 17 de março de 2015

Saudades






Não há sentido no que faço,
Pego minha pena,
Escrevo até a morte,
E me disfarço...
Nada faz sentido,
Nem mesmo o sentido
De olhar o espaço,
Buscar um corpo vago,
que se desfaz no opaco.
Não sou fraco,
Nem possuo uma vida amena,
Tenho até sorte,
Não plena,
De não ser teu amigo,
Mas buscador de tua libido,
Nesse escuro aço,
De estrelas fugidias,
Antigas,
que me lembram a vida,
antes da ida,
antes do nada,
sempre a sua espera,
minha amada.