Vendo sem
ver,
O tocar sem
sentir,
O som mudo a
responder
Calado.
Ao arado sem
cultivo,
o encontrar
sem ter
achado
o sair sem
ter ido...
Respirar sem
perfume
E sorrir
como lágrimas
Inundadas
Feito mar
sem cardumes...
Sonhar sem os
olhos cerrados,
Clamar sem voz no peito,
Voar sem
asas regadas,
Selvas duras,
sem leito.
Buscar
silêncio em criança,
Dançar sem
ter dança,
Como árvores
ao sol
Do deserto...
Em teu colo
chorar
Como adulto,
Pedir mistérios
em viadutos
E sorrir em
pleno luto...
Cantar.
Estar fadado
a sofrer,
Pelo simples
e belo viver,
Afortunado em
morrer,
Tão gélido e
fecundo,
Por lábios,
Por você.
Pedir a Deus
tua ausência,
Dar graças
ao desamor
De tu,
mulher.
Não
lembrar teu corpo,
Dos teus
lábios em fogo,
De tuas
escamas em plumas,
Do teu céu
sem luas,
Do teu
cheiro, mulher.
Deveras cair
ao inferno,
Mas me deras
o eterno,
Deras-me teu
mistério heleno,
Em relevos
belos,
Deu-me tua
alma, mulher.

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