terça-feira, 3 de junho de 2014

Terra e Fogo





Vendo sem ver,
O tocar sem sentir,
O som mudo a responder
Calado.

Ao arado sem cultivo,
o encontrar
sem ter achado
o sair sem ter ido...

Respirar sem perfume
E sorrir como lágrimas
Inundadas
Feito mar sem cardumes...

Sonhar sem os olhos cerrados,
Clamar sem  voz no peito,
Voar sem asas regadas,
Selvas duras, sem leito.

Buscar silêncio em criança,
Dançar sem ter dança,
Como árvores ao sol
Do deserto...

Em teu colo chorar
Como adulto,
Pedir mistérios em viadutos
E sorrir em pleno luto...
Cantar.

Estar fadado a sofrer,
Pelo simples e belo viver,
Afortunado em morrer,
Tão gélido e fecundo,
Por lábios,
Por você.

Pedir a Deus tua ausência,
Dar graças ao desamor
De tu, mulher.

Não lembrar  teu corpo,
Dos teus lábios em fogo,
De tuas escamas em plumas,
Do teu céu sem luas,
Do teu cheiro, mulher.

Deveras cair ao inferno,
Mas me deras o eterno,
Deras-me teu mistério heleno,
Em relevos belos,

Deu-me tua alma, mulher.



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